Emergente e economicamente mais atraente
Economia aquecida e em constante desenvolvimento atrai cada vez mais
investidores ao Brasil. Países do continente asiático são os mais interessados.
Se para alguns o Brasil ainda é sinônimo de samba e futebol, em muitos despertam a atenção os demais atrativos nacionais. Com status de país emergente, demonstrando maturidade e bom desempenho diante a crise econômica mundial, o Brasil se reposicionou no contexto econômico global, ganhando maior visibilidade mundo afora.
Melhor posicionado na "vitrine da economia" mundial, o Brasil tem despertado o interesse especialmente de países do continente asiático, como Coréia do Sul, Taiwan e China. Por meio de suas Câmaras de Comércio, essas nações, grandes fabricantes de máquinas para o setor metalmecânico, ampliam essa rede de negócios, facilitando o intercâmbio com o Brasil.
A Korean Trade and Investiment Agency - KOTRA, agência internacional de investimentos do Consulado da Coréia, vê o potencial brasileiro e a ampliação da abertura de potenciais negócios entre os dois países acontecendo gradativamente. Jin-Wook Moon, gerente da KOTRA, conta que com o desenvolvimento proporcionado pela estabilidade econômica, acompanhado de uma melhor distribuição de renda, muitas empresas coreanas estão interessadas no mercado brasileiro com vistas a geração de oportunidades de negócios. "Desde a crise mundial, em 2008, a Coréia vem atuando junto ao grupo G20 com o Brasil, num claro sinal de que o povo coreano reconhece a posição de destaque e influência do Brasil no mundo".
Jin-Wook Moon conta que os maiores focos coreanos no Brasil estão nas indústrias petrolífera e naval. Mas
ele enxerga boas oportunidades também em projetos na área de transportes, tais como o trem-bala, do qual a Coréia já participa da licitação, segundo ele. Moon ressalta ainda a importância dos projetos de infraestrutura previstos para os eventos esportivos de 2014 e 2016 para melhorar a imagem do Brasil no exterior. "Essa conjuntura chamou a atenção dos grandes players coreanos que já iniciaram suas atividades no país", afirma. Conforme o executivo da KOTRA, empresas como Samsung e LG se consagraram no mercado interno e pretendem aumentar ainda mais seu market-share. Outras empresas como a Hyundai Motor, que irá iniciar a construção de sua fábrica de automóveis em Piracicaba, São Paulo, também buscam desenvolver relações comerciais com os brasileiros. Moon relembra a trajetória bem sucedida da Coréia quando lhes foi dada a mesma oportunidade. "Considerando a experiência coreana e o êxito em ambos os eventos (tanto em 1988 como em 2002), novas oportunidades de intercâmbio de experiências e negócios já estão surgindo", assegura.
Outro país de estreita relação com o Brasil é a China. De acordo com o CCICB - Câmara de Comércio Brasil - China, em 1999 o intercâmbio entre os dois países movimentou US$ 15 bilhões, passando para US$ 35 bilhões em 2000. "Em 2009 atingimos a marca de US$ 36 bilhões, crescimento tímido reflexo da crise econômica mundial", argumenta o diretor da CCIBC, Charles Tang.
Tang acredita que o interesse entre os dois países é mútuo: "O Brasil precisa de capital e a China de produção".
Questionado sobre as dificuldades de negócios, Tang é taxativo. "Além da língua, o Custo Brasil é um problema para todos os envolvidos. A indústria brasileira é muito eficiente da porta para dentro; nos demais processos esbarramos em tributações, logística, leis trabalhistas, enfim, o empresário brasileiro vence de teimoso que é", ironiza o presidente da CCIBC.
Jin-Wook Moon, da KOTRA, concorda. "Os entraves burocráticos que acontecem diariamente são desvantagens das mais graves". Como exemplo, Moon cita o grande caos no aeroporto internacional de São Paulo, ocorrido em 2008. "Nunca havia vivido uma situação parecida", espanta-se. Afinal, diz ele, o aeroporto internacional é a porta de um país para o mundo. Além dos brasileiros, muitos estrangeiros passaram por aquela situação. "É claro que esse episódio acarretou inúmeros prejuízos a imagem do Brasil bem como aos negócios realizados no país", afirma o gerente da Câmara coreana.