Governo anuncia medida para beneficiar setor de autopeças
Pacote visa a proteger a indústria nacional que enfrentava concorrência com a importação de peças acabadas
O pacote de estímulo às exportações, anunciado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior na quarta-feira, 5 de maio, trouxe uma boa notícia para o setor de autopeças: a redução do desconto no Imposto de Importação para o setor. O objetivo é preservar a indústria brasileira, ameaçada pela concorrência das peças que são importadas prontas e acabadas, indo diretamente para os automóveis. Segundo Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, as alíquotas de importação têm um redutor de 40% para a montadoras, o que torna a importação mais barata por aqui. "No Brasil, o imposto está em torno de 10%, contra uma média de 14% no Mercosul", afirmou.
O anúncio da medida agradou tanto a ABIMEI como o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças/ Abipeças), uma vez que ambos sofriam os efeitos deste tipo de operação.
Com as vendas em alta, a indústria automobilística impõe um ritmo acelerado de produção em toda sua cadeia, em especial às montadoras. Dados da Anfavea apontam que o faturamento do setor deverá evoluir 16,6% em 2010, com vendas totais de US$ 40,7 bilhões. Em investimentos, os novos aportes feitos pela indústria deverão somar US$ 1 bilhão, registrando crescimento de 11%. Tais projeções são feitas com base no atual cenário da indústria automobilística que, para atender esta demanda, se beneficia da baixa do câmbio importando autopeças.
De acordo com relatório divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC, o Brasil movimentou de janeiro a março de 2010, US$ 2.948.521.608 bilhões em importações de autopeças, número que representa um aumento de mais de 50% em relação ao mesmo período de 2009. Entre os países que mais forneceu peças prontas para o país, destacam-se Japão, Alemanha e Estados Unidos, segundo o presidente do Sindipeças/Abipeças, Paulo Butori.
Entre os setores que compõem esta cadeia e sentiam os reflexos deste aumento expressivo no volume de importações de autopeças acabadas estão os importadores de máquinas e equipamentos industriais. Vice-presidente da ABIMEI, Alcino Bastos lembra que o Brasil perdeu muito em competitividade nos últimos 10 anos. "Tínhamos antes praticamente a mesma taxa cambial de agora, porém uma inflação melhor. Nossas leis trabalhistas, tributárias, os investimentos do poder público em infraestrutura logística são inadequados. O Custo Brasil continua sendo muito alto. Precisamos melhorar estas questões para então voltar a ser competitivos".