Entrevista
Jackson Schneider:
"Estamos deixando a crise para trás"
O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, está confiante: "Vamos continuar o plano de investimento, que prevê aplicar no mínimo US$ 21 bilhões no aumento de competitividade do setor automotivo, no período 2008-2012", diz ele, em entrevista exclusiva ao ABIMEI News. Os bons resultados conquistados pelo setor em 2009 reforçaram a importância do papel da indústria automotiva na economia brasileira, que responde por cerca de 23% do PIB industrial e 5,5 % do PIB nacional, segundo Schneider: "É natural que seja visto como importante segmento da economia brasileira, como de fato é". Ele elogia as medidas governamentais anticrise adotadas para o setor automotivo e o comportamento da empresas privadas ligadas ao segmento, atribuindo a ambos o bom desempenho de 2009.
Confira a entrevista de Jackson Schneider para o ABIMEI News.
ABIMEI News - Como a Anfavea analisa os últimos resultados da indústria automobilística nacional"
JS - Os resultados de 2009 apresentam bom desempenho do mercado interno e queda forte nas exportações. Em consequência, uma ligeira retração na produção. No mercado interno, foram comercializados 3,14 milhões de unidades novas, crescimento de 11% em relação a 2008 (2,82 milhões de veículos novos comercializados). Essa marca é relevante, visto que poucos mercados automotivos tiveram crescimento no mundo em 2009. Somente Alemanha, Brasil e China fecharam com resultados positivos. Os demais mercados tiveram quedas pesadas, em função da crise internacional.
ABIMEI News - E os reflexos da crise"
JS - Em razão da crise, nossos principais clientes de importação de veículos tiveram sua demanda reduzida, levando a uma queda das exportações de veículos, da ordem de 35% (475 mil unidades em 2009 versus 735 mil unidades em 2008). Com a redução das exportações, a produção teve também ligeira queda em 2009 (3,18 milhões em 2009 versus 3,22 milhões em 2008). Na balança, a venda de veículos importados versus exportações de veículos há o deficit de 489 mil veículos importados vendidos ante 475 mil veículos exportados em 2009.
Esse fato se explica em função de o mercado interno brasileiro ter conseguido equilibrar-se e crescer ao longo de 2009, graças às medidas anticrise adotadas pelo governo federal e também em função do comportamento da iniciativa privada - promoções, retorno do crédito e dos prazos mais longos, taxa de juros em declínio e assim por diante. Assim sendo, nossos principais parceiros de comércio exterior, Argentina e México, tiveram oportunidade de aumentar suas vendas no Brasil, ao passo que nossas exportações esbarraram na queda desses mesmos mercados e de outros. Em 2010, entretanto, a balança deve voltar ao equilíbrio.
ABIMEI News " Além de uma balança comercial mais equilibrada, o que a Anfavea projeta para a indústria automobilística / automotiva em 2010"
JS - Nossas estimativas preliminares indicam que o mercado interno deve continuar evoluindo bem, chegando à marca de 3,40 milhões de unidades, crescimento em torno de 8% sobre o desempenho de 2009. As exportações devem começar a ser retomadas: podemos chegar a 530 mil veículos exportados, numa recuperação de 11,5% sobre 2009. E a produção, em consequência, deve atingir 3,39 milhões de unidades, expansão de 6,5% em relação a 2009.
ABIMEI News - Além do setor de petróleo e gás, a economia nacional aposta também na indústria automobilística / automotiva para o desenvolvimento econômico brasileiro, em especial a indústria nacional. Qual a posição da Anfavea com relação a isso"
O complexo automotivo responde por cerca de 23% do PIB e 5,5% do PIB total. Dessa forma, sendo um setor de extremo dinamismo, pela sua capacidade de produzir efeitos econômicos para frente e para trás, ao longo da cadeia, das matérias primas aos concessionários e setores correlatos, é natural que seja visto como importante segmento da economia brasileira, como de fato é.
Estamos deixando a crise para trás, e o setor está investindo no período 2008-2012 o mínimo de US$ 21 bilhões em ampliação da capacidade de produção e permanente inovação tecnológica dos meios de produção e produtos, com o objetivo de manter a indústria competitiva não só em termos internos como também nos mercados de exportação. Ou seja, trabalhamos para melhorar nossa competitividade global. Esse é o grande desafio do setor automotivo nos próximos anos: melhorar a sua competitividade. O mercado internacional e também o mercado interno tornam-se cada vez mais competitivos e acirrados e o País deverá preparar-se para enfrentar esse novo cenário de competição, não só no setor automotivo, mas toda a economia brasileira deverá estar preparada para esses novos tempos.