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Comunicados 
Chamada : Economia
   

Lições da crise

Seguindo a máxima de que é na dificuldade que mais se aprende, os importadores chegam ao fim de 2009 otimistas, acreditando em um futuro cada vez mais promissor para o país

O setor de bens de capital compõe efetivamente o cenário de quem sobreviveu ao caos e vivencia um período pós-crise positivo e promitente. Os importadores de máquinas-ferramenta e equipamentos industriais chegam ao final de 2009 com o movimento de cerca de US$ 1,5 bilhão em negócios, valor que corresponde a 55% do volume total negociado em 2008 - considerado o melhor ano para o setor.

Em um panorama geral, as empresas sofreram o mesmo impacto, com destaque para os setores comerciais, com redução abrupta nas vendas e um salto na inadimplência, que chegou a 5%, segundo o presidente da Abimei, Thomas Lee. Isso afetou diretamente o capital de giro das companhias, refletindo no planejamento financeiro e estratégico das corporações. Refazê-los no início de sua implementação, embora frustrante, foi o primeiro passo rumo à reestruturação.

Exemplo disso é a Celmar. A companhia encontrou na reestruturação do seu planejamento uma maneira de sentir o menos possível a crise, e posteriormente se reposicionar no mercado. De acordo com o diretor Comercial e de Marketing da companhia, Marco Mendez Rodrigues, o plano de marketing para 2009 teve que ser refeito três vezes. "Trabalhamos com três cenários: negativo, neutro e positivo. Ao longo do ano já percorremos os dois estágios, nos posicionando atualmente no semipositivo", enfatiza. O executivo espera alcançar o estágio "positivo" no início de 2010 e lembra que a empresa não conseguiu fugir de um "realinhamento no quadro de colaboradores, assim como melhores negociações com seus fornecedores" este ano.

Outro exemplo de reestruturação no planejamento como principal tática de combate à crise é a Automotion. A companhia se reorganizou internamente e literalmente cresceu com as dificuldades. "Tivemos uma redução imediata de 30% no volume de vendas e queda de 10% nos serviços. Em um cenário assim, os custos fixos passaram a desempenhar o papel mais importante e nada mais natural que serem esses os focos de ataque. Como os serviços tiveram menos impacto, buscamos diversificar e aumentar seu volume", revela Alcides Gomes, diretor da empresa.

Tanto Marco Rodriguez quanto Alcides Gomes encontraram "uma saída" para continuarem vivos no mercado diante de um cenário tão desfavorável. Ambos se fortaleceram nas dificuldades e puderam tirar proveito dela, aprendendo com a crise. Mesmo já tendo vivido "algo parecido" em 1999, com uma grave crise econômica nacional, Rodriguez diz que "foi pego de surpresa pela crise deste ano" e, após o "susto" ficará mais atento, em especial aos rumos da globalização. "Minha principal lição foi aprender que o Brasil é vulnerável também às crises mundiais e, neste sentido, em uma velocidade muito rápida", constata o diretor da Celmar: "Em setembro de 2008 estávamos no céu, em dezembro, no inferno. Tudo isso em um prazo de três meses".

Alcides Gomes destaca como lição a criatividade nos planos estratégicos em períodos de dificuldade. "Ficou claro que a busca de soluções criativas para contornar situações dessa magnitude é o ponto chave para o sucesso. Isso se verifica tanto no âmbito do microcosmo de nossas empresas como no aspecto macroeconômico de nosso país e mundo", conclui o diretor da Automotion.

 

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