Pós-crise no Brasil: economia começa a retomar ritmo
Doutor em economia pela Universidade de Yale (EUA), Simão Davi Silber explica porque já é permitido ficar otimista em relação a 2010
De acordo com as expectativas do início da crise financeira, os países em desenvolvimento seriam os primeiros a sair da fase turbulenta. Agora, cerca de um ano depois, o Brasil confirma esta previsão e é um dos países que primeiro começa a se reerguer do tombo da economia.
"A combinação da queda da inflação para 4,5% ao ano, redução da taxa de juros e as desonerações tributárias
concedidas pelo Governo estimularam uma rápida recuperação do nível de atividade econômica, após dois trimestres de queda. O resultado foi que, apesar de termos uma crise pior do que a de 1929, o impacto no Brasil foi modesto", destaca o professor de economia internacional e brasileira da USP, doutor em economia pela Universidade de Yale, Simão Davi Silber.
O especialista explica que o Brasil vai interromper em 2009 um ciclo de meia década de expansão econômica e deve encerrar o ano com crescimento nulo do PIB (Produto Interno Bruto). "Apesar de não parecer, este é um resultado bom. A maioria das nações deve fechar com queda de 1,5%", explica o professor.
Para o economista, apesar de não apresentar grandes investimentos ou uma expansão econômica robusta, 2009 é um ano importante de recuperação e preparação para um crescimento do País. "Apesar da nossa produção de bens duráveis estar 16,3% menor do que no mesmo período de 2008, este indicador está em expansão e já melhorou muito se compararmos com a queda de 45% no último trimestre do ano passado. Não há dúvidas de que a recuperação está vindo sólida".
Confiança na economia interna
O que avaliza tanta segurança em relação à recuperação do País? Para Silber, se comparado às crises anteriores, o momento atual mostra sinais claros de melhora."Antes a inflação saltava para níveis absurdos em situações como esta. Mesmo sem ter uma taxa de juro baixa, comparada a de outros países, o Banco Central reduziu consideravelmente os juros básicos neste período e estamos agora em bom nível", afirma.
Na visão de Silber, com a recuperação econômica seguindo este ritmo, em 2010 o País deve apresentar um crescimento de cerca de 4%. "Em ano de eleição sempre há um clima de incerteza sobre a direção que a próxima gestão pode tomar. Mesmo assim, acredito que dificilmente o Brasil sairá deste ritmo de expansão".
Segundo ele, o que segurou o Brasil durante a crise foi o consumo do mercado interno, que já apresenta crescimento a uma taxa anualizada de 5,6%. Outros pontos positivos são a expansão da massa salarial, que atinge 3,5% ao ano e a ampliação do crédito que, entre janeiro e julho, cresceu 21% ante o mesmo período de 2008 para pessoas físicas e 26,5% no caso de pessoas jurídicas.
Silber tem ainda uma boa notícia para o setor de bens de capital: as empresas começam a investir quando a utilização da capacidade instalada ultrapassa 80% e isto já aconteceu. "A indústria nacional apresentou em agosto utilização de 81,6%. Com isso, o setor deve movimentar US$ 60 bilhões em investimentos das companhias, entre o final de 2009 e 2010".