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Comunicados 
Chamada : Economia
   

O início da subida

"Estamos na saída do fundo do poço de um ciclo de recessão", afirma professor de economia da USP

Carlos Eduardo Soares Gonçalves é professor do departamento de economia da Universidade de São Paulo, com pós-doutorado pela London School of Economics e uma vasta lista de artigos e trabalhos científicos sobre política monetária com destaque para o comportamento da inflação e dos juros - publicados no Brasil e no exterior. Entre suas áreas de interesse e pesquisa, está o acompanhamento dos impactos dos eventos econômicos  crises e choques, por exemplo,  sobre a chamada economia real, aquela que está diretamente relacionada ao dia-a-dia das empresas e cidadãos. E é ele quem diz que o Brasil começa a dar os primeiros sinais de retomada da crise financeira que abalou os mercados a partir de outubro de 2008.
"Com o otimismo maior entre os empresários e a produção industrial subindo sensivelmente no País, podemos esperar uma melhora da economia nos próximos seis meses", declara.

Segundo Gonçalves, este é o tempo que uma decisão da política econômica leva para impactar os mercados. "Nos últimos seis meses o Banco Central baixou a taxa Selic de 13,75% para 8,75%. O efeito positivo do relaxamento da política monetária deve se fazer sentir no fim do ano, dentro deste ciclo", esclarece.  Ele explica que o impacto desta redução, somado à melhora das expectativas, deve afetar de forma positiva o setor de bens de capital. "Esta é a saída do fundo do poço dentro do ciclo de recessão", enfatiza.

Para o professor da USP, os setores de bens de capital e de bens duráveis deverão puxar a retomada econômica, por conta de incentivos fiscais e da sensibilidade destes setores às taxas de juros. "A economia como um todo tem que melhorar para que o segmento de bens de capital melhore e eu enfatizo que este setor já começou a apresentar leve recuperação", avisa o economista.

Gonçalves admite que crises com origem no crédito têm retomada mais lenta. "Além disso, a demora na recuperação internacional retarda o processo aqui. Mas com o câmbio flutuante e, consequentemente, mais flexível, a transmissão da crise para o Brasil é menos severa", analisa.

Primeiro semestre de 2010 será de retomada

Para o economista, com um mercado doméstico grande, a dificuldade de recuperação é menor. Segundo Gonçalves entre 10% e 12% do PIB brasileiro é composto por exportação, enquanto alguns países da Europa chegam a ter 50% do Produto Interno Bruto dependendo de compras externas. "O Brasil está se saindo muito bem. Com seriedade em políticas macroeconômicas e boas reservas cambiais o Banco Central evitou uma grande recessão no País", avalia.

O professor enxerga ainda uma leve mudança de cenário nos Estados Unidos, que começa a apresentar aumento no índice de confiança. "Os indicadores de PIB e de indústria ainda estão em queda, mas a melhora da confiança demonstra que a economia americana está mudando de direção".

No Brasil a dificuldade em obter crédito ainda atrapalha novos investimentos. De acordo com Gonçalves, a liberação de empréstimos para pessoas físicas já está se normalizando e o processo para as empresas é mais lento, já que os bancos tornaram-se mais seletivos. "Isso leva um pouco mais de tempo. Os estímulos à economia já foram feitos, com redução de impostos e taxa de juros. A partir de agora temos que aguardar para ver os resultados disto nos próximos meses", comenta.

Com tudo isso, o que esperar de 2010? O economista aposta em câmbio baixo (ao redor de R$ 1,90), e no retorno de planos de investimentos engavetados após a crise. "Muitas empresas querem investir e estão só esperando o cenário clarear. A baixa dos juros certamente irá impulsionar esses investimentos a partir do fim deste ano. Os sinais de melhora já estão aí, a retomada já está acontecendo. O primeiro semestre de 2010 será muito melhor do que muitos esperam", conclui.

Carlos Eduardo Gonçalves é um dos autores do blog "Sob a Lupa da Economia" http://sobalupadoeconomista.blogspot.com/, que trata do conhecimento científico da área econômica e do impacto destes temas no cotidiano.
 
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